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Quebradeiras de Coco Babaçu: Histórias e Tradição

10 ago 2017 - Blog

O Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) é a atividade mais importante na vida de um acadêmico. E na minha não poderia ser diferente. No segundo semestre de 2016 eu e mais três amigos, Cleudiane Monsef, Anderson Clemente e Idê Oliveira, decidimos fazer esse trabalho juntos, com a orientação do nosso professor Enzo De Lesita. A ideia do tema surgiu de uma das integrantes do grupo, Idê Oliveira, que nos propôs falar sobre as Quebradeiras de Coco Babaçu do Maranhão, especificamente da cidade de Códo, sendo que essa temática está inserida na minha história e na dos meus colegas. Essa tradição resgata o nosso passado e reforça a história nos dias atuais. A quebra do coco é um costume que destaca as lutas e as conquistas de mulheres que por muito tempo buscaram seu espaço no meio social. É uma atividade extrativista, que ainda é fonte de sustento para muitos na região.

Com o tema fechado escolhemos fazer um documentário, mas para isso acontecer tivemos que correr atrás de muitas coisas. A primeira foi a parte financeira, por ser um documentário iria custar caro nossa viagem para Codó, além de ter os gastos com os equipamentos e profissionais adequados, que conheciam a região para a realização do projeto. Porém, mesmo não tendo apoio da Instituição de Ensino, não paramos, fizemos uma rifa, onde amigos e familiares também abraçaram nosso sonho. Dessa iniciativa conseguimos arrecadar todo o dinheiro usado para a gravação do documentário.

Ahahahah

Povoado Vista Alegre (foto de Cleudiane Monsef)

Partimos então para as aventuras dos dias de gravações, passamos 36 horas viajando até chegar à noite ao nosso destino. Logo no dia seguinte, às 6h30, começamos as gravações, fomos ao nosso primeiro destino, onde atravessamos de canoa o rio Itapecuru para ter acesso ao povoado Santo Antônio da City. Em seguida, a equipe se deslocou de volta à cidade de Codó, onde já estava programada a saída para os próximos locais de filmagem. O destino agora seria o povoado Vista Alegre, localizado a aproximadamente 70 km da cidade de Codó. A viagem demorou em torno de cinco horas, isso em virtude das condições da estrada e do meio de transporte, “pau de arara”.

Em Vista Alegre gravamos o dia a dia das quebradeiras de coco babaçu, reunimos as mulheres para mostrarem o processo da atividade. Diante das câmeras as personagens eram elas mesmas, sem medo de mostrar sua realidade e identidade. Trouxeram histórias de lutas e conquistas, além de contarem um pouco dos momentos engraçados. O mais bonito foi ver no olhar de cada uma o amor pela atividade e a simplicidade que era exercida, o valor não era só financeiro, tinha o sentimento, o gosto de conquistar algo e uma tradição que envolvia várias gerações de mulheres, que mesmo com suas dificuldades buscavam fazer o seu melhor.

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Povoado Vista Alegre (foto de Cleudiane Monsef)

Nos entregamos a este projeto, tivemos a oportunidade de mostrar a realidade de um povo sonhador, simples e feliz. Foi incrível olhar para aquelas mulheres, todas mobilizadas em abraçar o nosso sonho, cada uma dava o seu melhor, com suas lutas e histórias. Nesta jornada quem mais aprendeu fomos nós. Todo tempo dedicado a venda das rifas, a pesquisa sobre o tema, tudo valeu à pena. Conseguimos atingir a nota máxima (10) na nossa apresentação do filme-documentário Eu Sou Quebradeira – Histórias e Tradição. Mesmo se a nota fosse diferente, faríamos tudo de novo, pois a experiência vivida naqueles dias ninguém pode nos tirar. Conseguimos mostrar a realidade de um povo que ver a felicidade nas coisas mais simples da vida.

Posso dizer que ali nos deparamos com um povo disposto a ajudar quatro estudantes a realizarem um sonho. Mas um sonho que acabou sendo vivenciado por todos que estavam envolvidos: amigos, parentes, personagens, vizinhos e equipe de filmagem. Um povo que mesmo sem nos conhecer abraçou a nossa causa sem medo. Como escrevi em meus agradecimentos do TCC, aprendi que as coisas mais simples da vida são as mais valiosas e gratidão é a palavra que resume este trabalho.

sfsdfsdf

Enzo De Lesita, Idê Oliveira, Ana Caroline Feitosa, Cleudiane Monsef, Anderson Clemente, César Viana e Luciene Dias (Dia da apresentação do TCC)


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Ana Caroline Assis
Sobre Ana Caroline Assis

Estagiária de Comunicação da Interativa. Estudante de jornalismo pela PUC Goiás, ama a companhia dos amigos, ler e assistir filmes de comédia romântica.

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