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Oração ao Deus Cronos

02 ago 2018 - Blog
Cronos, Deus do tempo | Foto: reprodução

Cronos, Deus do tempo | Foto: reprodução

Será perda de tempo conjecturar sobre o tempo? Ou será uma forma de ganhar tempo para apreciar o seu desenrolar? Não obstante a dúvida, sei que posso, perfeitamente, falar do tempo e me referir ao sentido atmosférico: “tempo bom na capital, tempo claro, com a máxima em 28 graus”. Esse mesmo tempo pode fechar: escurecer, chover. Em síntese: o tempo pode “desabar” sobre as nossas cabeças.

Em outro sentido, também posso me referir ao “tempo musical”. Partes de uma peça ou composição sonora, onde o andamento muda. Tecnicamente falando: altera a duração de cada parte do compasso. Inevitável fazer uma analogia com a vida: o tempo passa e temos que nos moldar às mudanças para não sermos atropelados por elas. Ou seja, devemos nos adaptar aos diferentes compassos.

Assim, de repente, ainda nos damos conta da necessidade de encarar as mudanças dos tempos verbais. Passamos a conjugar os verbos mais no passado do que futuro. É que, vez por outra, surge, sem nos darmos conta, a frase fatídica: “Porque no meu tempo…”. Nesse diapasão somos acometidos de um passadismo vulgar e nos deixamos navegar nas águas turvas do saudosismo.

Melhor buscar, rápido, um antídoto para nos curar desta patologia, que até possui nome: hipertimesia. O cineasta Charles Chaplin disse que a falta de autoestima leva a esta situação. Ele confessou que quando se amou de verdade “…desisti de ficar revivendo o passado e de me preocupar com o futuro. Agora me mantenho no presente, que é onde a vida acontece”. E finalizou: “Hoje vivo um dia de cada vez. E isso se chama…Plenitude”.

Buscar a “plenitude da vida” é o que todos desejamos. Mas tão poucos alcançam. Vivem na ilusão, presos à caverna de Platão. Somos prisioneiros dessa “coisa” que está sempre escorrendo por entre nossos dedos, que não conseguimos alcançar e na qual, por diversas vezes, temos dificuldade de nos situar: passado, presente e futuro.

O escritor mexicano Carlos Fuentes, a propósito, fez o seguinte alerta: “o passado está escrito na memória e o futuro está presente no desejo”. Resta-nos, portanto, o presente. É nele que quero viver, de bem comigo mesmo. Sem ter que recorrer às muletas do passado. “Carpe Diem”, como ensinavam os romanos e repetia o poeta Horácio.

“Perda de tempo”, “Matar o tempo”, “Ganhar tempo”, “Apressar o tempo”, “Tempo é dinheiro”, “Dar tempo ao tempo” são expressões incorporadas ao nosso cotidiano. O tempo que nos é tão familiar é, também, um grande enigma. Ele é um bem muito escasso, muito precioso, porque irremediavelmente finito.

Como – até onde sei- vivemos apenas uma vida, somos meros e simples mortais. Por isso, a vida é tão preciosa (e rara). O tempo (de uma vida) passa na velocidade de um cavalo selvagem que corre solto pelas campinas. A reta final dessa montaria vai chegar, cedo ou tarde. E isso torna a vida “mágica”. Fiquemos, então, com o ensinamento do poeta Mário Quintana: “o tempo é a insônia da eternidade”.


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Francisco Barros
Sobre Francisco Barros

Diretor de Novos Negócios da Interativa Comunicação e Eventos. O seu hobby é a leitura, especialmente, os textos de literatura; é jornalista, escritor, mestrando em Mídia e Cultura e Editor do Blog da Interativa.

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