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O grito de resistência e a tradição do povo da Chapada dos Veadeiros no 17º Encontro de Culturas

23 ago 2017 - Blog
Aldeia Multiétnica / Foto - Melito

Aldeia Multiétnica / Foto – Melito

A Chapada dos Veadeiros é um lugar mágico e cheio de energias que revitalizam qualquer ser humano, ali a cura vem pela natureza e não há mal que perdure nesse lugar que é um misto de paz e calmaria. Mas, há 17 anos, na segunda quinzena do mês de julho, algo diferente acontece na Vila de São Jorge, distrito de Alto Paraíso de Goiás, onde fica a entrada do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros. Toda a região se mobiliza para a realização do Encontro de Culturas Tradicionais da Chapada dos Veadeiros.

É um simbólico grito de resistência na luta pela conservação ambiental e das tradições culturais existentes no Brasil. Nesse ano, a aldeia Multiétnica mudou de local, e foi para onde parecia poder tocar o vento, cercado de morros, verde, sol e água.

Foto - Aymê Sousa

Foto – Aymê Sousa

E foi nesse cenário que a estudante de Ciências Sociais, Aymê Sousa, pode fazer uma vivência incrível com os povos indígenas de várias etnias, observar as danças e aprender o modo de preparo das comidas. Ela resolveu dividir essas experiências comigo e decidi compartilhar com o mundo.

Na 17ª edição do Encontro de Culturas, a cidade estava pintada de gente, várias línguas sendo faladas ao mesmo tempo e cada um levando um pouco do que aprendeu. Quem se envolveu nos eventos pode observar as pinturas feitas pelas mulheres indígenas, que desenhavam com a maestria de uma artista plástica, além de participar de rituais de purificação e de rodas de conversas, que abordaram inúmeros assuntos, entre eles a demarcação das terras indígenas. Essa primeira parte da festa proporciona a todos um encontro e celebração dos povos e o fortalecimento de suas raízes.

Foto - Aymê Sousa

Foto – Aymê Sousa

Durante a segunda semana do encontro, representantes da cultura popular tomaram as ruas e os palcos da vila de São Jorge. Aconteceram muitos shows, cursos e debates na Casa de Cultura Cavaleiro de Jorge, onde a comunidade Kalunga assumiu o comando das festividades e abrilhantou ainda mais o evento. “Fiquei encantada com a dança Kalunga que se chama Sussa, e ainda mais fascinada com as raizeiras, rezadeiras, parteiras e todas as outras mulheres que retratam a força da Chapada dos Veadeiros. Além da simplicidade, elas carregam em si uma sabedoria inigualável, é possível aprender muito”, contou Aymê.

O Encontro de Culturas Tradicionais da Chapada dos Veadeiros quebra estigmas e preconceitos, rompe essa visão etnocentrista, fortalece as tradições, a existência desses povos e também da cultura imaterial. Durante toda a festa, sempre há a oportunidade de aprender, mas também de doar. É como se fosse uma troca, um escambo de saberes.

Foto - Aymê Sousa

Foto – Aymê Sousa

Com o olhar apaixonado a estudante fez questão de reforçar: “Outra coisa que eu preciso deixar registrado é como o céu desse lugar é lindo e estrelado. O luar ilumina tudo e o sol quando nasce e se põe é um espetáculo que não há forma de expor em minhas escritas, me falta palavras”.

Aymê finalizou sua experiência com uma frase do Antropólogo Darcy Ribeiro, “Viva aceso, olhando e conhecendo o mundo que o rodeia, aprendendo como um índio (…) seja um índio na sabedoria”.

Texto com participação de Aymê Sousa, graduanda em Ciências Sociais com Habilitação em Políticas Públicas pela Universidade Federal de Goiás.


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Thais Rocha
Sobre Thais Rocha

Analista de Comunicação na Interativa. É Jornalista desde 2013. Não pode ver um animal abandonado que já quer levar para casa, por isso, nas horas livres ajuda vários abrigos de proteção. Gosta de Chico Buarque, filmes, séries, livros, coisas antigas e café.

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