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Dezessete frases do poeta Manoel de Barros para atiçar sua imaginação

07 mar 2019 - Blog

O poeta pantaneiro Manoel de Barros (1916-2014) foi um dos mais importantes do século XX. Criou uma linguagem própria, particular. Aclamado em vida, recebeu diversos prêmios literários, incluindo dois Jabutis. Certa feita, o poeta Carlos Drummond de Andrade declinou a distinção de maior poeta vivo do Brasil em favor de Manoel de Barros. Em 1996, escreveu sua obra mais conhecida: “Livro Sobre Nada”.

Se você ainda não se aventurou pela floresta de signos que é a poesia de Manoel de Barros, conheça um pouco sobre esse escritor nas vinte frases que preparamos, pinçadas ao longo de sua trajetória literária. Elas dão uma ideia da engenhosidade desse autor que classificava o seu ofício da seguinte forma: “Poeta é um ente que lambe as palavras e depois se alucina”.

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  1. “Tentei descobrir na alma alguma coisa mais profunda do que não saber nada sobre as coisas profundas. Consegui não descobrir”.
  2. “Tenho em mim um sentimento de aldeia e dos primórdios. Eu não caminho para o fim, eu caminho para as origens. Não sei se isso é um gosto literário ou uma coisa genética. Procurei sempre chegar ao criançamento das palavras”.
  3. “Aprendi que o artista não vê apenas. Ele tem visões. A visão vem acompanhada de loucuras, de coisinhas à toa, de fantasias, de peraltagens. Eu vejo pouco. Uso mais ter visões. Nas visões vêm as imagens, todas as transfigurações. O poeta humaniza as coisas, o tempo, o vento”.
  4. “Quando meus olhos estão sujos de civilização, cresce por dentro deles um desejo de árvores e aves”.
  5. “[…] Se o tempo não é humano eu humanizo. Amarro o tempo no poste para ele parar. Boto a Manhã de pernas abertas para o sol. Me horizonto para os pássaros. Uma ave me sonha. O dia amanheceu aberto em mim”.
  6. “Inspiração eu só conheço de nome. O que eu tenho é excitação pela palavra. Se uma palavra me excita eu busco nos dicionários a existência ancestral dela. Nessa busca descubro motivos para o poema”.
  7. “Quem anda no trilho é trem de ferro, sou água que corre entre pedras: liberdade busca jeito”.
  8. “O meu conhecimento vem da infância. É a percepção do ser quando nasce. O primeiro olhar, o primeiro gesto, o primeiro tocar, o cheiro, enfim. Todo esse primeiro conhecimento é o mais importante do ser humano. Pois é o que vem pelos sentidos”.
  9. “Cresci brincando no chão, entre formigas. De uma infância livre e sem comparamentos. Eu tinha mais comunhão com as coisas do que comparação”.
  10. “Nós somos incompletos, nos sentimos incompletos. Só podemos ser completados pelo mistério”.
  11. “Tudo o que não invento é falso”.
  12. “Minhas palavras são de meu tamanho; eu sou miúdo e tenho o olhar pra baixo. Vejo melhor o cisco. Minhas palavras aprenderam a gostar do cisco, isto é, da palavra cisco. E das coisas jogadas fora, no cisco. Pra ser mais correto: as coisas que moram em terreno baldio”.
  13. Eu precisava de ficar pregado nas coisas vegetalmente e achar o que não procurava””.
  14. “Meu fado é de não entender quase tudo. Sobre o nada eu tenho profundidades”.
  15. “Sei que meus desenhos verbais nada significam. Nada. Mas se o nada desaparecer a poesia acaba. Eu sei. Sobre o nada eu”.
  16. “A mãe reparou que o menino gostava mais do vazio do que do cheio. Falava que os vazios são maiores e até infinitos”.
  17. “Poesia não é para compreender, mas para incorporar. Entender é parede: procure ser árvore”.

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Francisco Barros
Sobre Francisco Barros

Diretor de Novos Negócios da Interativa Comunicação e Eventos. O seu hobby é a leitura, especialmente, os textos de literatura; é jornalista, escritor, mestrando em Mídia e Cultura e Editor do Blog da Interativa.

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