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Depois de 90 Anos, a Diversidade Chega ao Oscar 2019

21 fev 2019 - Blog

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Este ano faz 90 anos que a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas realiza a cerimônia do Oscar. A primeira entrega dos prêmios da Academia ocorreu em 16 de maio de 1929, no Hotel Roosevelt em Hollywood, para destacar as realizações cinematográficas mais proeminentes de 1927 e 1928. A cerimônia foi apresentada pelo ator Douglas Fairbanks e pelo diretor William C. de Mille, nomes consagrados da época.

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O Oscar tem se tornado alvo de críticas quando o assunto é diversidade. De 1929 até o ano 2000, 95% das indicações foram para atores brancos e apenas 5% para de outros grupos étnicos como negros, latinos e asiáticos. Os dados são da revista V Magazine. A fotografia é verdade, mas o cinema é verdade vinte quatro vezes por segundo, dizia o diretor suíço Jean-Luc Godard, conhecido por abraçar causas sociais, como imigração e gênero.

Cena do filme Masculino-Feminino, filme de de Godard, foi lançado em 1963 e trabalho com identidade de gênero

Cena do filme Masculino-Feminino, filme de de Godard, foi lançado em 1963 e trabalho com identidade de gênero


Filme de Godard, 'A Chinesa' ganhou o premio de melhor roterio adaptado, no Oscar de 1967

Filme de Godard, ‘A Chinesa’ ganhou o premio de melhor roterio adaptado, no Oscar de 1967

Vários protestos já aconteceram contra o Oscar. Em 1973, Marlon Brando conquistou o troféu de melhor ator por sua atuação como Vito Corleone em ‘O Poderoso Chefão’. Mas boicotou a cerimônia em protesto contra a maneira como os indígenas norte-americanos eram retratados no cinema e na televisão. Sacheen Littlefeather, ativista indígena, subiu ao palco usando uma vestimenta apache tradicional no lugar de Brando e recusou a estatueta.

Outros dados também revelam que a Academia precisa se abrir mais para a diversidade.  Por exemplo, 94% dos membros da Academia são brancos. A 88.ª cerimônia tornou-se alvo de boicote. Havia a percepção (evidente) de que a lista de indicados era integralmente composta por atores brancos. Em resposta, a Academia iniciou mudanças históricas no quadro social que perdurará até o ano 2020.

Como diria outro grande diretor Martin Scorsese, “Cinema é a importância do que está dentro do quadro e o que está fora”. Nesta edição de 2019, a premiação, sempre criticada pela falta de diversidade, nos trouxe uma seleção bem diferente e mais preocupada com o contexto social. Os nomes indicados trazem representantes para as minorias LGBTQ+, negras e indígenas, funcionando como um termômetro para aquilatar as mudanças do cinema.

O sucesso de ‘Pantera Negra’, indicado para melhor filme, é bem representativo disso. Trata-se do primeiro longa de super-heróis composto por um elenco de maioria negra.  Muito elogiado por dar visibilidade ao orgulho e beleza africana, a produção recebeu sete indicações no total.

Outra boa surpresa: as 10 indicações do filme estrangeiro “Roma”. Numa dessas indicações, Yalitza Aparício, a primeira indígena na história do evento, concorre ao prêmio de melhor atriz. Trata-se da segunda mexicana indicada na categoria. Ela concorre com grandes nomes de Hollywood, como Glenn Close. O filme trabalha a questão do imigrante, enquanto isso alguns países pensam em construir muros e barreiras.

E se o assunto é inclusão, segundo a organização GLAAD (Gay & Lesbian Alliance Against Defamation), 2019 foi o ano com mais indicações de histórias LGBTQ+ de todos os tempos. Dos oito nomeados à categoria principal de melhor filme, quatro abordam essa temática: ‘Bohemian Rhapsody’, biografia do ícone bissexual Freddie Mercury, vocalista da banda Queen; ‘Green Book: O Guia’, que aborda também a homossexualidade de Don Shirley (Mahershala Ali); ‘A Favorita’, que gira em torno de um triângulo amoroso feminino; e ‘Nasce Uma Estrela’, em que o trabalho da protagonista Ally (Lady Gaga) em um clube de drag queens tem relevância no início do longa.

Vale lembrar também que, nas duas últimas edições, duas produções que integravam histórias LGBTQ+ levaram a estatueta para casa, ‘A Forma da Água’, em 2018, e ‘Moonlight’, em 2017. Este Oscar mostra que estamos caminhando para uma grande mudança na indústria do cinema, e que a arte está, de fato, buscando representar o real e a sua diversidade.

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Guilherme Melo
Sobre Guilherme Melo

Estagiário na Interativa Comunicação e Eventos. Estudante apaixonado pelo curso, ama maratonar séries e livros. Seus hobbies também são viajar para cidades do interior, sair para lugares alternativos e acompanhar uma boa história em quadrinho.

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