Receba nossos materiais, e-books e novidades

“A Forma da Água”: O que nos faz “humanos”

16 fev 2018 - Blog

Quando subiu ao palco para receber o Globo de Ouro de melhor diretor pelo filme “A Forma da Água”, o mexicano Guillermo Del Toro disse em seu discurso: “Desde a infância, tenho sido fiel aos monstros. Eu fui salvo e absolvido por eles, porque os monstros, eu acredito, são os santos padroeiros da nossa feliz imperfeição, e eles permitem e encarnam a possibilidade de falharmos – e vivermos”.

Em seus filmes anteriores, criaturas como o fantasma de “A Espinha do Diabo” ou o Homem Pálido de “O Labirinto do Fauno” têm suas existências ligadas a traumas, sejam tragédias pessoais ou a opressão de um país inteiro sob um regime totalitário. Em “A Forma da Água”, Del Toro continua a explorar temas como sofrimento e intolerância, mas desta vez o “monstro” existe como um reflexo de beleza e diversidade.

A história se passa nos Estados Unidos da década de 60. Elisa, uma zeladora de uma base secreta do exército americano, se depara com um misterioso “homem anfíbio” sendo mantido, e constantemente torturado, em uma das instalações onde ela trabalha. Muda desde o nascimento, ela utiliza de sua prática em linguagem não verbal para se comunicar com ele, reconhecendo assim seu sofrimento e sua solidão. Eles criam um forte vínculo por intermédio da linguagem de sinais, música e dança, resultando em um plano para salvar a vida da “criatura”e uma inusitada história de amor.

Cena do fiilme "A Forma da Água"

Cena do fiilme “A Forma da Água”

O tema central da história é o preconceito, ideia que ganha um significado mais forte pelo elenco de personagens secundários que permeiam a trama. Elisa mora com Giles, um artista homossexual que tenta encontrar seu espaço na vida, mas é continuamente frustrado pela intolerância da sociedade em sua volta. Richard Strickland é um ambicioso agente do governo, que tenta viver a farsa do “Sonho Americano”, com uma belacasa no subúrbio e uma família “perfeita”.

Strickland é o responsável pelo cativeiro e a constante tortura do “homem anfíbio”, tarefa que realiza com um sadismo ímpar. O agente também é racista e abusivo com outras pessoas a sua volta. O único interesse dos americanos na “criatura” é obter conhecimentos que assegurem vantagens sobre os soviéticos, mesmo que para isso seja necessário o torturar e, eventualmente, matar: tudo justificado pelo fato de não se tratar de um “ser humano”.

Toda essa ambientação é útil para uma desconstrução da ideia do “monstro”: aquele que era percebido como feio, grotesco e assustador é na realidade apenas diferente e imperfeito. E isso o torna nada mais do que apenas humano. Em síntese, o que Del Toro queria dizer quando citou que “os monstros o salvaram” é que, o que torna alguém um verdadeiro monstro não é a sua forma física, mas sim a ausência de humanidade.

Confira o trailer


Compartilhe
Danilo Mattos
Sobre Danilo Mattos

Músico e apaixonado por cinema. Estuda Administração de Empresas e trabalha na área de redes sociais da Interativa Comunicação e Eventos.

Buscar no Site

Mais Vistos

k

Interativa Comunicação ® 2015; Todos os direitos reservados.