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10 Músicos brasileiros venerados no exterior e (quase) desconhecidos no Brasil

07 fev 2019 - Blog

O Brasil é conhecido no mundo inteiro pela riqueza de sua cultura, em especial de sua música. Porém, é interessante notar que, muitas vezes, os próprios brasileiros não dão o devido valor a esse patrimônio. Neste artigo, exploramos a história de 10 artistas brasileiros que não recebem no próprio país todo o reconhecimento que merecem, embora sejam extremamente bem sucedidos e respeitados difundindo nossa música mundo afora.

No exterior, muitos ainda acham que a música brasileira começa e termina no seu gênero mais internacionalmente popular: a Bossa Nova. Mesmo que muitos dos músicos desta lista de fato começaram suas carreiras neste gênero, eles levaram influências brasileiras às mais diversas esferas musicais, do Jazz, Pop e Disco ao eletrônico, rock e blues.

Eumir Deodato

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Eumir Deodato é compositor, produtor, arranjador e pianista. Ele que começou sua carreira no Rio durante o início da Bossa Nova, porém rapidamente se mudou para os Estados Unidos. Lá produziu hits como “Celebration” (1980), do Kool and the Gang, que se tornou ama das faixas de maior sucesso no mundo na década de 80, e também criou arranjos para três discos da islandesa Björk: “Post” (1995), “Telegram” (1996) e “Homogenic” (1997). No Brasil, já trabalhou com Vanessa da Mata, Titãs, Tom Jobim e Milton Nascimento.

Deodato revelou, durante algumas de suas apresentações recentes, que quase foi responsável por tirar o filme “O Exorcista” (1973) dos cinemas, após descobrir que sua música “Carly & Carole” estava na trilha da película sem sua autorização. O caso terminou com uma indenização de US$ 22 mil para Eumir.

Seu disco “Prelude”, primeiro álbum de Deodato lançado nos Estados unidos, vendeu mais de cinco milhões de cópias e rendeu ao artista o Grammy de 1974 de “Melhor performance Pop instrumental” e uma indicação para o prêmio de melhor novo artista. A principal faixa do álbum é uma versão jazz-funk do tema do filme 2001: Uma Odisseia no Espaço “Also sprach Zarathustra”. A versão de Deodato, que conta com Stanley Clarke no baixo e Airto Moreira na percussão, fez tanto sucesso que chegou ao segundo lugar nas paradas dos Estados Unidos e sétimo lugar no Reino Unido.

Confira “Also sprach Zarathustra”:

 

Flora Purim

Flora Purim

Durante os anos 60, Flora Purim formou a banda “Quarteto Novo”, junto com Hermeto Pascoal e o percussionista Airto Moreira, com quem se casaria em 1971. Flora e Airto se mudaram para os Estados Unidos e lá participaram do crescente movimento Electric Jazz, chegando ao ponto de integrar a banda “Return to Forever”, comandada pelo pianista Chick Corea e o baixista Stanley Clarke.

Em 1973 Flora Purim lançou seu primeiro álbum solo, intitulado “Butterfly Dreams”, que rendeu uma premiação da revista de Jazz Downbeat como melhor cantora de Jazz do mundo, título que receberia em mais outras três ocasiões, além de ser indicada para 2 grammys de melhor performance de cantora de Jazz. Ao longo dos anos, ela trabalhou com artistas como Stan Getz, Mickey Hart (do the Grateful Dead), Santana, Jaco Pastorius, Duke Pearson e George Duke.

Ouça abaixo “Casa Forte”, faixa do álbum solo “Stories To Tell”:

 

Airto Moreira

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O baterista e percussionista Airto Moreira começou sua carreira muito jovem, tocando em 1964 no grupo de Samba e Jazz “Sambalanço Trio”, considerado extremamente importante para a história de ambos os gêneros. Em 1967, integrou o Quarteto Novo, junto com Hermeto Pascoal e sua futura esposa Flora Purim.

Após se mudar para os Estados Unidos junto com Flora, Airto tocou com importantes nomes do Jazz, como o baixista Walter Booker e o tecladista Joe Zawinul. Porém, seu trabalho mais importante foi junto com a lenda do Jazz Miles Davies, na criação do álbum Bitches Brew (1970), um dos mais importantes trabalhos no gênero Jazz Fusion e progenitor do chamado Jazz-Rock.

Outros artistas internacionais com os quais Airto Moreira tocou são Santana, Return to Forever, Duke Pearson, George Benson, Stan Getz e Al Di Meola.  Entre os brasileiros figuram nomes como Milton Nascimento, Edu Lobo, Tom Jobim e Eumir Deodato.

Parte da história de Airto Moreira se confunde com a de Flora Purim, já que eles não apenas são casados desde os anos 70, como também tocaram juntos com muitos dos mesmos artistas e bandas.

Ouça “Peasant Dance”, do seu álbum solo “Virgin land” (1974).

 

Egberto Gismonti

Egberto Gismonti

Egberto Gismonti é um compositor, violonista e pianista nascido em Carmo, no Estado do Rio de Janeiro. No Brasil, ele entrou em um conservatório de música onde estudou piano, e depois continuou seus estudos em Paris, onde foi pupilo de Nadia Boulanger, musicista francesa famosa por ter ensinado alguns dos maiores compositores do século XX.

Depois de voltar ao Brasil, Egberto aprendeu o violão de maneira autodidata, e começou a usar violões com mais de seis cordas, expandindo o alcance de notas possíveis no instrumento.  Em 1976, lançou seu mais famoso disco, “Dança das Cabeças”, no qual todas as músicas são interpretadas por apenas ele e o percussionista Naná Vasconselos. Em 1979, saiu o álbum “Mágico”, de Egberto junto com o baixista Charlie Haden e o saxofonista Jan Garbarek.

Ouça uma apresentação ao vivo de “Dança das Cabeças”, com a participação de Naná Vasconcelos.

 

Naná Vasconcelos

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O percussionista Naná Vasconcelos foi um dos músicos brasileiros de maior visibilidade no exterior. Especializou-se em berimbau, mas não só. Ele tocava uma diversidade imensa de instrumentos de percussão com tamanho talento que chegou a ganhar 8 Grammy’s e ser eleito 7 vezes seguidas pela revista Downbeat como o maior percussionista no mundo.

A lista dos artistas com os quais colaborou também impressiona: Talking Heads, banda de David Byrne; Ginger Baker, que é considerado um dos maiores bateristas de todos os tempos; Paul Simon, do Simon and Garfunkel; B.B. King, um dos maiores nomes do Blues; Laurie Anderson, renomada musicista experimental; Debbie Harry, do Blondie; e o compositor e pianista japonês Ryuichi Sakamoto. No Brasil, já tocou com Egberto Gismonti, Milton Nascimento, Os Mutantes, Sergio Mendes, Caetano Veloso, entre vários outros.

Naná faleceu em 2016, em decorrência de um câncer de pulmão.

Veja uma performance de “Africadeus”, em Roma, no ano de 1983.

 

Hermeto Pascoal

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O “bruxo dos sons” é o apelido de Hermeto Pascoal, cantor, compositor, arranjador e multi-instrumentista, tão multi-instrumentista no caso, que é conhecido por tocar copos d’água, e até a própria barba.

O músico alagoano começou sua carreira tocando em rádios e boates locais, mas após se mudar para o Sudeste formou o “Quarteto Novo”, com Flora Purim e Airto Moreira. Mais tarde foi ao exterior a convite do casal. Nos Estados Unidos, gravou com Miles Davies, e na Suíça participou do lendário Festival de Montreux. Apresentou-se, também no Japão junto ao saxofonista Sadao Watanabe. Além desses, também já colaborou com importantes nomes do Jazz, como Donald Byrd e Duke Pearson.

Entre os anos de 1996 e 1997 Hermeto escreveu uma composição nova por dia. As 366 partituras foram lançadas em um livro denominado “Calendário do Som”. O objetivo era prestar homenagem aos aniversariantes contemplando todas as datas do calendário.

Uma curiosidade: em 1972, Hermeto Pascoal planejava se apresentar no Festival Internacional da Canção junto com diversos animais no palco. Ele argumentava que “o porco dá um grito que nenhum piano do mundo consegue igualar”. A organização do festival vetou os animais.

Ouça “Porco na festa”, canção vencedora do prêmio de melhor arranjo no Festiva Abertura da Globo, de 1975.

 

 

Sergio Mendes

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Sergio Mendes é outro precursor da Bossa Nova que voltou sua carreira quase exclusivamente para os Estados Unidos, onde é muito mais conhecido do que no Brasil. Nos EUA, na década de 60, formou a banda “Brasil 66”, que teve vários sucessos comerciais no país, como “Going Out of My Head”, e a composição de Jorge Bem Jor “Mas Que Nada”, cuja versão de Mendes até hoje é reconhecida no mundo inteiro como um ícone da música brasileira.

Ao longo dos anos, Mendes continuou popular mundo afora como um expoente da “Bossa Nova Pop”, chegando a ganhar um Grammy em 1992 de “Melhor Álbum de World Music” pelo álbum “Brasileiro”. Mais recentemente, foi indicado ao Oscar de melhor canção original pelo tema do filme Rio.

Ouça “Going Out of My Head”, sucesso da banda “Brasil 66”

 

Bebel Gilberto

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A cantora de Bossa Nova Bebel Gilberto já nasceu dentro do meio musical: ela é filha de João Gilberto e da cantora Miúcha (falecida recentemente), além de ser sobrinha de Chico Buarque. Aos nove anos já se apresentava junto com sua mãe e Stan Getz, no Carnegie Hall.

Sua estreia profissional veio em 1986, em um LP em colaboração com Cazuza. Desde então, Bebel participou de projetos como os hits “Technova” e “Batucada” do produtor japonês Towa Tei, e a música “Caipirinha” no projeto Peeping Tom, de Mike Patton (vocalista do Faith No More).

No ano 2000, o lançamento do Álbum “Tanto Tempo” a tornou a artista brasileira de maior sucesso nos Estados Unidos desde os anos 60. Assim como Sérgio Mendes, ela também participou dos filmes “Rio” (2011) e “Rio 2” (2014), onde faz a voz de uma personagem e também contribui para a trilha sonora.

Confira “Samba da Benção”, de seu álbum de maior sucesso comercial, “Tanto Tempo”.

 

 

Paulinho da Costa

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Paulinho da Costa provavelmente é o músico brasileiro com a carreira internacional mais estelar de todos. Em primeiro lugar, ele participou das gravações de alguns dos maiores sucessos comerciais da história da música popular: Thriller, de Michael Jackson, True Blue, da Madonna e Let’s Talk About Love, de Celine Dion. Além de músicas e trilhas sonoras de filmes como Os embalos de sábado à noite, Dirty Dancing e Purple Rain.

A Lista dos artistas com os quais já contribuiu poderia compor uma seleção dos maiores músicos populares de todos os tempos: Bee Gees, Ray Charles, Eric Clapton, Miles Davis, Bob Dylan, Ella Fitzgerald, Aretha Franklin, Herbie Hancock, Michael Jackson, Elton John, B.B. King, Red Hot Chili Peppers, entre muitos, muitos outros.

Além de suas inúmeras participações em trilhas sonoras de sucesso, Paulinho da Costa também já apareceu diante das câmeras no filme “A Cor Púrpura” (1985), de Steven Spielberg, onde interpreta um músico africano, além de também aparecer no documentário da Netflix “Quincy”, sobre o produtor musical americano Quincy Jones.

Ouça “Love Till The End of Time”, do album “Happy People”, de 1979.

 

Laudir de Oliveira

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Último nome de nossa lista, Laudir de Oliveira foi um dos maiores percussionistas do Brasil e mostra que a percussão é realmente grande especialidade da maioria dos músicos exportados pelo país. Ele começou sua carreira internacional quando participou nos Estados Unidos da banda de Sérgio Mendes “Brasil 77”. Depois disso, entre 1973 a 1982 foi integrante da banda Chicago, famosa pelo seu Hit “If You Leave Me Now”, e com ela ganhou um Grammy em 1976.

Laudir também tem participações em outros discos importantes das décadas de 60 e 70, como o bem-sucedido álbum de estréia de Joe Cocker “With a Little Help from My Friends” (1968) e o último álbum do Jackson Five, “Destiny” (1978). Além disso, já se apresentou ao vivo com o guitarrista Carlos Santana, com o saxofonista Wayne Shorter e foi músico de duas turnês de Nina Simone.

Laudir de Oliveira morreu de um ataque cardíaco fulminante durante uma apresentação em homenagem ao saxofonista e clarinetista Paulo Moura.

Ouça “If You Leave Me Now”, da banda Chicago, de 1977:

 

Fontes:

https://rollingstone.uol.com.br/noticia/eumir-deodato-em-show-intimista/

http://memoriaglobo.globo.com/programas/entretenimento/musicais-e-shows/festival-internacional-da-cancao/curiosidades.htm

https://www.allmusic.com/artist/bebel-gilberto-mn0000163435/biography

https://oglobo.globo.com/cultura/percussionista-laudir-de-oliveira-morre-aos-77-anos-21835178

Dos demais: Wikipedia


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Danilo Mattos
Sobre Danilo Mattos

Músico e apaixonado por cinema. Estuda Administração de Empresas e trabalha na área de redes sociais da Interativa Comunicação e Eventos.

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